Marcos e Belutti comentam elogios sobre voz e dizem que se esforçam para gravar músicas 'mais para o povo'



Marcos e Belutti são considerados pontos fora da curva na música sertaneja. De gostos inusitados para o gênero, como o bolero de Luís Miguel e o rock de Jon Bon Jovi, à avalanche de elogios de especialistas e artistas sertanejos sobre a qualidade vocal, a dupla tem um refino de repertório acima da média, com canções às vezes incomuns para o padrão do mercado, e mantêm, em 15 anos de carreira, uma série de sucessos e agenda sempre cheia.

Em entrevista exclusiva ao g1 antes da apresentação na Festa do Peão de Barretos, Marcos e Belutti comentaram a repercussão positiva que têm em relação tanto à primeira voz de Belutti quanto à segunda de Marcos, falaram das referência em vários segmentos da música, anunciaram os planos dos projetos de comemoração de 15 anos e revelaram as dificuldades de se distanciar da obra sofisticada e gravar canções mais populares.

"Não é nem falsa modéstia, mas é o nosso gosto musical que bate muito, dentro e fora do sertanejo. Inúmeros artistas que têm uma qualidade muito legal. Então, quando a gente escuta alguma música que a gente acha que tem uma qualidade , os dois batem nisso e é um problema, porque muitas vezes a gente acha que grava mais do mesmo. E esse mais do mesmo acaba sendo isso da melodia refinada, letra com conteúdo não tão para o povo, algo mais requintado, porque a gente tem uma preocupação de trazer mais para o popular, mas o gosto bate e não tem jeito, a gente fala: vamos ter que gravar. E acaba sendo um pouco do nosso problema", disse Belutti.

"A dificuldade é fugir disso. A gente tenta, mas às vezes não conseguimos muito não", explicou Marcos.

O repertório refinado para gravar e compor canções também acontece nas respostas. Questionado sobre sempre ser colocado como um dos maiores intérpretes da geração atual da música sertaneja, Belutti lembrou que estuda há 30 anos e sempre procurou melhorar. Além disso, reconheceu existir um dom que o ajudou a elevar o nível.

"A gente recebe muita menção na internet de artistas falando, mas nada é por acaso. Esse ano eu completo 30 anos de música profissional. Em novembro de 1993, eu tirei a minha primeira carteirinha da ordem dos músicos. Então, há 30 anos eu já fazia aula, já fazia fono, já me preparava muito. E sempre a vida inteira eu cantei, procurei melhorar minha condição vocal. Graças a Deus o dom veio. Além desse esforço, o dom ajudou muito. É a preocupação de sempre entregar o melhor, quando subir ter uma entrega de coração, mas não que seja simples", afirmou o cantor.

Já Marcos, também colocado sempre como uma referência na segunda voz, às vezes até discorda dos elogios. "Eu às vezes não acho que é tudo isso, eu fico feliz, e às vezes eu deposito um dinheiro para a galera e aí ela fala da gente", brincou o artista.

Os gostos por outros gêneros musicais de Marcos e Belutti foram descortinados ao Brasil principalmente durante a pandemia da Covid-19 com as lives. Na ocasião, eles faziam apresentações de até 6h onde mostravam versatilidade cantando clássicos de várias gerações sertanejas e hits de uma série de outros estilos, inclusive em espanhol e inglês, como em homenagens a Luís Miguel, Bon Jovi, Aerosmith e Bruno Mars.

"Eu pesquiso muito música no mundo, independente do estilo, independente da língua e trago muito isso. Eu mando muita coisa de referência para o Marcos e ele para mim, e bate muito o estilo. Por isso no palco na hora de cantar eu sei que ele vai me acompanhar, nossos gostos batem muito. Não tem nada que ele me mostra que eu falo: cara, isso não é bom. E que bom que são gostos de qualidade muito boa, acaba ajudando muito a gente. Luís Miguel, um dos maiores cantores do mundo, Roupa Nova, a maior banda do Brasil, e os artistas sertanejos que são os maiores da história", pontuou Belutti.

Em 15 anos de carreira, Marcos e Belutti colecionam grandes sucessos como "Domingo de Manhã", "Eu era", "Aquele 1%", "Tão Feliz" e "Romântico Anônimo". Recentemente, lançaram a versão completa do álbum "Quebra-Cabeça", já com canções apresentadas durante o show na Festa do Peão de Barretos, onde também mostraram a tradicional versatilidade.

Durante a conversa com a reportagem, eles anunciaram mais projetos de comemoração, que terá pelo menos mais dois álbuns.

"A gente tem um projeto de regravações pronto, mas não nossas, são regravações de música sertaneja no forno. Estamos só terminando o planejamento para lançar, já está pronto áudio e vídeo. E a gente quer fazer um projeto de 15 anos e com regravações nossas. E a gente fica na dúvida do que regravar, aquele lado super A ou algumas do lado B que foram injustiçadas", contou Marcos.

"Eu ia falar a palavra injustiça mesmo. Existem músicas injustiçadas. Às vezes uma música chamou mais a atenção. Às vezes não só da gente, mas da gravadora ou do escritório e a gente acaba pendendo para ela para soltar no rádio, mas a gente se arrepende de naquele projeto não ter soltado uma música que mexia mais com nosso coração. Essas músicas têm que ter uma atenção e entender a quantidade de músicas inéditas. Porque precisa ter coisa nova também. Não são 15 anos só do passado, são 15 anos olhando para frente", finalizou Belutti.

Fonte: G1