Hugo e Guilherme reforçam cuidado com repertório e atenção para não acomodar após 'estouro': 'Se falar que chegou, tira o pé'



"Seu plano era bom, era quase perfeito, pena que tudo o que você faz, você faz mal feito". Esta letra, que conta a história da descoberta de uma traição, foi responsável por dois acontecimentos. O primeiro é que, pela execução à exaustão, "Mal Feito", a dona deste refrão, foi a canção mais tocada do Spotify em 2022. O segundo, consequentemente, é que ela alçou Hugo e Guilherme ao topo da música sertaneja, provocando uma ascensão ao sucesso poucas vezes vista no segmento.

O estouro de "Mal Feito", que tem a peculiaridade de ter sido a última participação gravada por Marília Mendonça, morta em um acidente aéreo em novembro de 2021, descortinou Hugo e Guilherme ao Brasil. A dupla formada em Goiás ganhou projeção nacional, conquistou popularidade e se colocou entre os maiores nomes do gênero na atualidade.

A canção puxou a fila de muitas outras que mantiveram a dupla no topo. Do mesmo projeto de "Mal Feito", "Meu Número" e "Felicidade Dela" seguiram o mesmo caminho. Já do novo álbum "Original", lançado na versão completa em junho, "Metade de Mim", "Mágica" e "Elevador" também frequentaram o top-50 no país.

Os hits e o restante da obra da dupla formada em 2016 vão poder ser conferidos no maior rodeio da América Latina, a Festa do Peão de Barretos, pela 2ª vez no palco principal, onde se apresentam no 1º sábado do evento, em 19 de agosto.

Em uma conversa exclusiva com o g1, Hugo e Guilherme festejaram o auge, em que praticamente tudo o que fazem vira sucesso, relembraram o caminho para chegar ao topo e alertaram para o risco da acomodação e o cuidado com o repertório [assista acima]. A qualidade do que fazem e os números mostram que a dupla finalmente "chegou", mesmo que a cautela não permita que pensem assim.

"Não pode falar que chegou, porque quando fala que chegou a gente tira um pouco o pé do acelerador, a gente não tá para isso ainda não", brincou Guilherme.

A preocupação de Guilherme mostra a maturidade de uma dupla que está longe de ter caído de paraquedas no mercado ou de ter conseguido o sucesso fácil. Hugo e Guilherme iniciaram a parceria há sete anos, quando gravaram o primeiro DVD, e começaram a se consolidar durante a pandemia com os projetos "No Pelo", que consistia em álbuns com regravações e algumas músicas inéditas.

O formato do mercado da música atual, muitas vezes, não deixa que uma canção com letras e melodias mais profundas e trabalhadas cheguem às grandes massas com tanta facilidade quanto faixas mais "cantáveis" e que possam viralizar mais rápido em aplicativos, ainda que também tenham prazo de validade mais curto.

A preocupação da dupla é justamente evitar esse método para conquistar uma carreira com mais longevidade.

"A música é um trabalho contínuo. Ela não para. Hoje em dia ela se tornou mais descartável. A gente tenta manter a nossa essência e tenta resgatar o passado. Eu quero que uma 'Oi, Deus', uma 'Mal Feito', uma 'Meu Número', toque por 30 ou 40 anos, a gente tem essa preocupação. Não gravar muita coisa descartável, tocar a vida das pessoas eternamente, não por um momento só", pontuou Hugo.


A terceira edição - e última até agora - do projeto audiovisual "No Pelo" pavimentou o caminho para a dupla furar a bolha. Consolidados dentro do meio sertanejo, até por causa do peso de fazerem parte da Workshow, maior escritório do segmento no Brasil, e da gravadora Som Livre, eles trabalharam duas músicas inéditas, "Pingo de Dó" e "Coração na Cama", que funcionaram bem até a gravação do álbum "Próximo Passo", que revelou "Mal Feito", composta por Felipe Arná, produtor da dupla. Antes, o single "Oi, Deus" também já tinha ganhado repercussão.

A partir do momento que ganharam projeção nacional, Hugo e Guilherme foram aclamados pela qualidade vocal e de escolha de repertório, o que fez os artistas tomarem conta das plataformas digitais, rádios e frequentarem a maior parte dos festivais sertanejos e rodeios do Brasil.

A marca "No Pelo", inclusive, virou um festival 360 no qual os artistas rodam as cidades recebendo convidados.

"Acho que a gente tem um pouco de cuidado com o nosso repertório. Hoje não tem como falar o artista A ou B vai dar certo por isso ou por aquilo. Para mim, tudo é repertório. Se você acertar no repertório, você pode ser qualquer pessoa que você vai alcançar o que você espera. Então a gente fazer com carinho, a gente tem um feeling musical muito parecido, dá um pouco mais de poder", completou Guilherme.

O "estouro" premiou a persistência de Spártaco Luiz Neves Vezzani, o Hugo, que colhe o sucesso aos 32 anos, depois de começar a cantar em 2010 e aparecer primeiro como compositor antes de estourar ao lado de Matheus Neves, que ganhou o nome artístico de Guilherme.

Apesar do mesmo sobrenome, os dois não são irmãos e se conheceram em uma casa noturna de Goiânia em 2015.

"A gente tem sete anos de vivência, sete anos de luta, alcançar um espaço nesse mercado nosso é difícil demais, mas graças a Deus a gente vai gravando e a galera vai curtindo", concluiu Hugo.

Fonte: G1